Os rotulados

Entenda os rótulos dos alimentos que consome

Alimentos irradiados, desidratados, funcionais, fortificados, transgênicos, light, diet. O brasileiro, em geral, não sabe o que come, revelou pesquisa divulgada nos grandes jornais do país, pelo Instituto Brasileiro de Educação para o Consumo de Alimentos e Congêneres. Os coordenadores do estudo que foi realizado com 540 consumidores acima de 18 anos divulgaram que 43,9% dos entrevistados não sabem o que é um alimento funcional; 81,% desconhecem a definição de irradiado e 50% não conhecem o que são transgênicos.

A nutricionista Márcia Madeira, professora da área de tecnologias de alimentos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, acredita na importância de ajudar a todos entenderem as informações dos rótulos dos alimentos. "Embora muitos nutricionistas pensem que explicar para o leigo pode deturpar as informações", diz.

Márcia nos ajudou a elaborar o seguinte glossário, que o deixará mais tranqüilo na hora de ir ao supermercado. Aprenda e leia exemplos dos principais processos por que passam os alimentos industrializados.

ALIMENTOS IRRADIADOS

O termo lembra guerra nuclear. Porém, ao contrário do que parece, irradiação é o processo de higienização dos alimentos. Uma substância, como o césio, esteriliza os alimentos sem deixar resquícios de irradiação. Com a diminuição das bactérias, consegue-se estender o prazo de validade dos produtos.

"Infelizmente, as pessoas mantêm preconceitos contra esse processo. Pensam que dá câncer", lamenta Márcia. De acordo com ela, o processo já é cientificamente comprovado há décadas e diminui o desperdício de alimentos. "Não falta comida no país, falta logística de distribuição. Os alimentos doados para o Fome Zero estragavam por conta da demora do transporte. Por isso, o Exército adquiriu equipamento para irradiação recentemente para conservar melhor os produtos", lembra ela.

DESIDRATADOS

Exemplos de desidratados são o leite em pó e o café solúvel. Como diz o nome, o processo de desidratação tira a água do alimento e o deixa mais concentrado. Dessa forma, é mais fácil conservar as características funcionais (ver próximo item).

FUNCIONAIS

De acordo com a legislação brasileira, os alimentos funcionais têm adicionados nutrientes para ajudar a tratar funções específicas do organismo e se tornam, dessa forma, uma espécie de "alimento-remédio".

Por exemplo, pão integral rico com fibras adicionadas contra constipação intestinal. Ou o leite fermentado com lactobacilos vivos, que é fortificante da flora intestinal (no caso de diarréias). Existem leites especiais para gestantes e para mães que estão amamentando, com nutrientes especiais. Outros exemplos são os aminoácidos em pó e cápsulas para atletas e esportistas.

Muitos chamam de alimentos funcionais aqueles que se encontram na natureza e são usados para tratar determinado problema, como limão, laranja e outros cítricos para fortalecer o sistema imunológico. Mas a lei define os funcionais de forma diferente. Para ela, apenas os que têm adição de nutrientes com determinado objetivo são funcionais.

FORTIFICADOS

Também estão ligados ao acréscimo de vitaminas e minerais, porém, sem o objetivo de tratar de um problema, mas de suprir além das necessidades diárias que se imagina existir. Os nutrientes e substâncias são acrescidas em 2 ou 3X o que se supõe ser fundamental para um adulto normal diariamente. É claro que essas necessidades variam de acordo com cada caso, porém, estabeleceu-se um padrão para um adulto saudável.

Não é qualquer alimento adicionado de nutrientes considerado fortificado, apenas aqueles cuja porção supostamente satisfaça a necessidade diária de determinado nutriente.

Exemplos de fortificados são iogurtes ou biscoitos ricos em vitamina C ou A, ou ferro. São alimentos que, por natureza, não têm aquela quantidade de nutrientes.

TRANSGÊNICOS

São alimentos modificados geneticamente para torná-los resistentes à pragas. O processo ainda é recente e ainda não se sabe se faz mal à saúde. Mas a maior preocupação com os transgênicos, de acordo com a nutricionista Márcia Madeira, é econômica. É que, no caso dos transgênicos, a semente não pode ser reaproveitada e os produtores rurais dependem das grandes empresas que modificam as sementes.

Não confundir os transgênicos com a gordura trans, presente nas margarinas e outros processos industriais, que é modificada quimicamente para ganhar maior absorção do organismo e diminuir o nível de colesterol. Porém, em excesso, ela aumenta as chances de obesidade.

ALIMENTOS LIGHT E DIET

"É uma questão de marketing. As pessoas associam diet a doenças e light a saúde", diz Márcia.

De acordo com a Portaria SVS/MS 27/98, são produtos light aqueles que reduzem em 25% seus fatores principais, como gorduras, calorias ou açúcares. E diet são os que devem conter até 0,5 de açúcar.

Mas, por uma questão de marketing, os diet foram sendo associados a doenças e o light à saúde. "Os produtos diet hoje estão restritos a diabéticos ou a hospitais. Mesmo para aqueles que são diabéticos, anuncia-se os produtos como light sem açúcar", explica Márcia.

Ela ainda alerta: "Um sorvete light pode ter apenas 25% a menos de gordura ou de açúcar. Mas muitos, por acreditarem ser light, consomem mais porções e, sem saber, superam o número de calorias de uma porção não-light " .

Fonte: http://www.maisde50.com.br


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