Refrigerantes e açúcares e erosão dentária

O efeito erosivo do refrigerante e dos açúcares sobre o esmalte ou sobre a dentina já foi motivo de inúmeros trabalhos, os quais, inclusive, estudam a capacidade da saliva em reverter essas alterações, em geral, muito doloridas. Num desses estudos, no Brasil, o refrigerante Coca-Cola foi ingerida de 1 a 8 vezes ao dia e foram feitas determinações de microdureza superficial com cargas de 50,0 e 15,0 g, respectivamente para esmalte e dentina, durante 5,0 segundos.

Os resultados mostraram que, em função da freqüência de ingestão de Coca-Cola, a porcentagem de perda de dureza foi de 18,7 a 27,9 para o esmalte, e de 24,6 a 32,6 para a dentina. Estas reduções foram estatisticamente significativas a 5%. A porcentagem de recuperação de dureza pela ação da saliva foi parcial, porém significativa (p<0,05), variando de 43,6 a 35,6 para o esmalte e de 40,5 a 34,6 para a dentina. Houve também uma correlação significativa entre freqüência de ingestão de Coca-Cola e porcentagem de perda de dureza, sendo de 0,97 para o esmalte e de 0,72 para a dentina. Por outro lado, em termos de recuperação de dureza, a correlação foi negativa, -0,70 para o esmalte e -0,74 para a dentina. Conclui-se que, em função da freqüência de ingestão de Coca-Cola, há perdas proporcionais e irreversíveis da estrutura superficial tanto do esmalte como da dentina. (Revista Odontol. Univ. São Paulo, 1999;13(2):127-134)

I.Al-Majed e colaboradores, da Faculdade de Odontologia, de Newcastle-Tyne, na Inglaterra, examinaram os fatores de risco na erosão dental em dois grupos de meninos: grupo A com 354 meninos de 5 a 6 anos; e grupo B, 862 meninos de 12 a 14 anos, alunos de 40 escolas em Riyadh, na Arábia Saudita. A erosão dental foi avaliada usando-se critérios de diagnóstico semelhantes àqueles utilizados na Pesquisa Nacional da Inglaterra em 1993, no programa de Saúde Dental Infantil. Os autores constataram acentuada erosão dental (na dentina ou na polpa) em 34% das crianças do grupo A, e em 26% das crianças do grupo B. Através de um questionário foram obtidas as informações de bebidas e alimentos ingeridos, e os hábitos de dieta.

Os pais relataram que 65% dos garotos do grupo A ingeriram alguma bebida antes de dormir. Água foi a bebida mais consumida (37%), seguida de refrigerantes (21%). Um terço dos pais disseram que seus filhos ingeriram algum tipo de alimento antes de dormir, ou durante a noite e 60% desses alimentos eram doces ou continham açúcar. Um total de 70% dos garotos do grupo B relatou que ingeriam durante a noite, água (30%), refrigerantes (27%) e chás ou cafés com açúcar (18%).

Além disso 46% desse grupo B ingeriam alimentos durante a noite pelo menos 1 vez por semana e desses, 54% ingeriam alimentos doces ou que continham açúcar.

No exame clínico dos dentes maxilares primários das crianças do grupo A, quando havia uma acentuada erosão nas superfícies palatais ela estava correlacionada com a freqüência do consumo de bebidas no período noturno (P = 0,015). Uma relação significativa também foi descoberta entre o número de maxilares permanentes com alta erosão nas superfícies palatais das crianças do grupo B, relacionadas com o consumo de bebidas à noite (P = 0,020), assim como a quantidade de bebida retida na boca, à noite (P = 0,038). Os autores concluem que esses dados comprovam que a erosão dental é mais freqüente nas crianças sauditas, do que em grupos da mesma faixa etária na Inglaterra.

Fonte: Community Dent Oral Epidemiol. 2002


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