Cientistas descobrem pica-pau considerado extinto há 60 anos

Um pica-pau que se acreditava estar em extinção há anos voltou a ser avistado em uma parte remota de Arkansas, 60 anos depois de ter sido visto nos Estados Unidos, informaram ornitologistas. Diversos especialistas viram e ouviram o pássaro em uma reserva florestal no leste dos Arkansas, em um local onde a espécie foi observada em 1944 e um deles chegou a ser filmado em 2004.

"O pica-pau mármore (Campephilus principalis), há tempos dado como extinto, foi redescoberto na região das 'grandes florestas' do leste do Arkansas", escreveram os pesquisadores no artigo que será publicado na revista científica "Science".

De acordo com os cientistas, os sons emitidos pelo pássaro também foram ouvidos. "Isso é um grande acontecimento, muito importante", disse Frank Gill, principal ornitologista da Sociedade Audubon. "É como descobrir Elvis."

Gill disse que há poucas dúvidas de que as observações sejam genuínas. Um macho foi gravado quando um pesquisador estava em um barco, em 2004. "O pica-pau mármore é uma das seis espécies norte-americanas suspeitas de terem sido extintas desde 1880", escreveram os pesquisadores, liderados por John Fitzpatrick do Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell University em Nova York.

"Os outros são o pato labrador (Camptorhynchus labradorius), o maçarico esquimó (Numenius borealis), o periquito Carolina (Conuropsis carolinensis), o pombo passageiro (Ectopistes migratorius) e o gorjeador de Bachman (Vermivora bachmanii)", diz o estudo.

Pássaro grande, de aparência dramática, o pica-pau mármore é conhecido por ser tímido e por preferir as florestas mais densas do sudoeste dos EUA. Algumas vezes era chamado de "pássaro ai, meu Deus", contou Fitzpatrick durante uma entrevista por telefone. "É um pássaro tão grande que, quando as pessoas o viam, diziam "Ai, meu Deus, que pica-pau", contou o cientista.

Como o nome sugere, esses pássaros têm uma coloração em tom mármore que os distingue dos outros pica-paus mais comuns. Eles são animais preto e branco grandes, mas tem cores distintas nas asas e medem cerca de 34 centímetros. Os machos têm uma crista vermelha.

Sua sobrevivência está extremamente ligada à densidade das florestas na qual viviam. "Seu desaparecimento coincidiu com a aniquilação sistemática das densas florestas virgens no sudoeste dos Estados Unidos, entre 1880 e 1940" escreveram os cientistas. A última observação confirmada ocorreu em 1988 no leste de Cuba, mas o pássaro americano é considerado uma espécie separada, diz a Sociedade Audubon.  (Globo.com)

 


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