Esta página é dedicada a Chico Xavier

No dia 02 de abril de 1910, nasceu em Pedro Leopoldo (MG), Francisco Cândido Xavier, filho de um casal simples, seu pai um operário e sua mãe uma lavadeira. Ficou órfão de mãe com 5 anos.

Passando por dificuldades seu pai entregou alguns de seus nove filhos aos cuidados de amigos e parentes, Chico Xavier ficou aos cuidados de sua madrinha, uma mulher que o maltratava.

Ainda menino aprendeu a se manter calmo e calado em momentos de sofrimento, pois sofria agressões de sua madrinha, nestes momentos se dirigia ao quintal da casa afim de reencontrar sua mãe, ele sempre a via e a escutava após fazer orações.

Algum tempo depois seu pai se casou novamente com uma mulher boa e caridosa.  Ainda em dificuldade sua madrasta iniciou uma horta em casa e logo para o sustento da família começaram a vender legumes, com o dinheiro Chico Xavier voltou a freqüentar a escola em 1919.

Quando saiam todas as pessoas de casa, uma de suas vizinha começou a roubar os legumes da horta, e isso estava causando problemas para família de Chico, sua madrasta sugeriu então que Chico consultasse sua mãe que deu o seguinte conselho, disse que não deveriam brigar com os vizinhos e que toda vez que sua madrasta se ausentasse, que desse a chave de casa à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável pela casa, não roubou mais os legumes.

Passado os problemas, Chico não via mais sua mãe com tanta freqüência, mas começou a ter sonhos e se levantava durante a noite para falar com pessoas invisíveis, e pela manhã contava histórias de pessoas que já haviam morrido. Sem que conseguisse compreender, seu pai o levou até um vigário, que disse que um demônio estava perturbando o menino.

Ao conversar com sua mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebida em sonho, que ficasse em silêncio.

E durante 7 anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe. Seguia a religião católica participando dos ritos. Em 1923 concluiu o ensino primário, e começou a trabalhar numa fábrica. Em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda do Sr. José Felizardo Sobrinho.

Os sonhos continuavam, e logo depois de dormir entrava em transe profundo. Em 1927 sua irmã ficou doente, e um casal de espíritas, reunido com familiares da doente, realizaram a primeira sessão espírita que teve lugar na casa. Na mesa, dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Pela mediunidade de D. Carmem, sua mãe manifestou-se: "Meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos. "

Sua professora D. Rosália descobriu sua mediunidade psicográfica, vendo os textos que Chico escrevia após passeio feitos nos campos, ela notava que Chico sempre tirava as melhores notas, e escrevia uma verdadeira página literária sobre o amanhecer e daí tirando

conclusões evangélicas.

Rosália mostrou aos amigos íntimos a composição e todos foram unânimes em reconhecer que aquilo, se não fora copiado, era então dos espíritos. Ao entrar para o funcionalismo público, como datilógrafo, na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, começa a demonstrar sua admiração pela natureza.

Distante da cidade, Chico entra cada vez mais em contato com a natureza. Vê em tudo poesia e oração, trata as árvores como irmãs e compreende como poucos a alma do grande todo.

Em maio de 1927 foi realizada a primeira sessão espírita no lar dos Xavier, em Pedro Leopoldo. Em junho do mesmo ano foi cogitada a fundação de um núcleo doutrinário. E no final de 1927 o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de José Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição, estava bem freqüentado.

As reuniões se realizavam às segundas e sextas-feiras. A nova sede do Grupo Espírita Luiz Gonzaga foi construída no local onde se erguia, antigamente, a casa de Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier.

No dia 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação do serviço mediúnico, em público. Seu primeiro livro psicografado foi publicado em 1931. Em 1931, Chico passou a receber as primeiras poesias de "Parnaso de Além - Túmulo", que foi lançado em julho de 1932. Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros. Vivia seu apogeu.

Se tornou conhecido no Brasil e no mundo inteiro. O Parnaso de Além Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar as verdades, inclusive o intercâmbio das idéias entre os dois Mundos. Além disso, recebera romances, livros e mais livros, versando assuntos filosóficos, científicos e, sobretudo, realçando o espírito da letra dos Evangelhos, escrevendo e traduzindo, de forma clara e precisa, as Lições consoladoras e imortais do Livro da Vida.

Em 5 de janeiro de 1959 mudou-se para Uberaba, sob a orientação dos Benfeitores Espirituais, iniciando nessa mesma data, as atividades mediúnicas, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã. Deu ele, então, início à famosa perigrinação. Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", o bondoso médium visitava alguns

lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga,

acompanhado por grande número de pessoas.

A cidade de Uberaba, desde a sua vinda para cá, transformou-se num pólo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior, que aqui aportam com o objetivo de conhecer o médium.

Seu trabalho sempre consistiu na divulgação doutrinária e em tarefas assistenciais, aliadas ao evangélico serviço do esclarecimento e reconforto pessoais aos que o procuram. Os direitos autorais de seus livros publicados, em torno de 340, são cedidos, gratuitamente, às editoras espíritas ou a quaisquer outras entidades.

Quanto à fortuna material, ele continua tão pobre quanto era. Chico era um homem aposentado e recebia somente os proventos de sua aposentadoria. Do ponto de vista espiritual, Chico Xavier é, a cada dia que passa, um homem mais rico: multiplicou os talentos que o Senhor lhe confiou, através de seu trabalho, de sua perseverança e da sua humildade em serviço.

Mesmo com a saúde debilitada, Chico Xavier continuou, a sua condição de um autêntico missionário do Cristo, continuou a comparecer às reuniões do Grupo Espírita da Prece.

No dia 30 de junho de 2002, em Uberada, Minas Gerais, Chico Xavier falaceu, enquanto os brasileiros comemoravam a conquista de um campeonato mundial de futebol.

Chico Xavier

"A morte é a mudança completa de casa sem mudança essencial da pessoa".

"Planejar a infelicidade dos outros é cavar com as próprias mãos um abismo para si mesmo."

"A revolução em que acredito é aquela ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo que começa pela corrigenda de cada um, na base do façamos aos outros aquilo que desejamos que os outros nos façam".

"Eu vivo muito alegre, muito feliz, trabalho, tenho sempre muita gente em volta de mim, muita, muita gente na minha vida, é disso que eu gosto."

"Devemos efetuar campanhas de silêncio contra as chamadas fofocas, cultivando orações e pensamentos caridosos e otimistas, em favor da nossa união e da nossa paz, em geral".

"O bem que praticares, em algum lugar, é teu advogado em toda parte."

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Amor e humildade

Nós viveremos, universo em fora,

Trazendo dentro d'alma a vida acesa

No ritmo da luz da Natureza,

Que é a eterna vibração da eterna autora.

A dor, somente a dor nos aprimora,

Nos caminhos da prova e da aspereza,

Elevando a nossa alma na grandeza

Da grande claridade redentora.

Somos os lutadores peregrinos,

Sonhando pela estrada dos destinos,

Um castelo de paz, ventura e glórias.

Sabemos do passado envolto em ruínas

Que a luz do amor e as rudes disciplinas,

São as chaves das últimas vitórias.

Raul de Leoni (Soneto psicografado em 1936)

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Poema:

Nasceste no lar que precisavas,

Vestiste o corpo físico que merecias,

Moras onde melhor Deus te proporcionou,

De acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes

Com as tuas necessidades, nem mais,

nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste

espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes, amigos são as almas que atraíste,

com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,

buscas, expulsas, modificas tudo aquilo

que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos e atitudes...

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência

Não reclames nem te faças de vítima.

Antes de tudo, analisa e observa.

A mudança está em tuas mãos.

Reprograma tua meta,

Busca o bem e viverás melhor.

Embora ninguém possa voltar atrás e

fazer um novo começo,

Qualquer Um pode Começar agora e fazer um Novo Fim.

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Caridade

Use o tostão que sobra

E que em nada te aproveita,

Dar sempre é exemplificara caridade perfeita!

Caridade é, muitas vezes,

Fazer-se sempre o menor,

Está na luz da Humildade

A caridade melhor.

Caridade é perdoar

A quem te causa uma dor

É converter todo o espinho

Numa braçada de flor.

Caridade, enfim, na Terra

É buscar a perfeição,

A perfeição de si mesmo

No templo do coração.

Casimiro Cunha (Psicografado por Francisco Cândido Xavier, na sede da União Espírita Mineira, em 1938)

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Carta a minha mãe

Quis visitar-te o alônimo jazigo

Em que a humildade em paz se nos revela,

Contemplo a cruz, antiga sentinela

Erguida ao lado de um cipreste amigo.

Busco a memória e vejo-te comigo;

Estamos sob o verde da aquarela,

Teu sorriso na túnica singela

É luz brilhando neste doce abrigo.

Recordo o ouro, Mãe, que não quiseste,

Subindo para os sóis do lar Celeste

Para ensinar as trilhas da ascensão.

Venho falar-te, em prece enternecida

Do amor imenso que me deste à vida,

Nas saudades sem fim do coração.Auta de Souza

(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião público do Grupo Espírita da Prece, na noite de 12 de março de 1989, em Uberaba, Minas Gerais)

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Soneto

O homem da Terra, mísero e precito,

No máximo de dor de que há memória,

Vai penetrar a noite merencóriado seu caminho desvairado e aflito.

No mundo, em toda a parte, ouve-se o grito

Da mentira em seus dias de vitória!

Ostentação, miséria, falsa glória

Afrontando as verdades do Infinito!

Mas ao coro sinistro das batalhas

Hão de cair as rígidas muralhas

Que guardam a ilusão do mundo velho!..

E após a dor, a treva e a derrocada,

O homem renascerá para a alvorada

Da luz divina e eterna do Evangelho!Olavo Bilac

(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier, na sede da União Espírita Mineira, em 6 de agosto de 1939)

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Nunca esmoreças

Alma fraterna, recorda:

Os momentos infelizes

parecem noites de crises

Em que o céu lembra um vulcão;

Ribombam travões no espaço,

Coriscos falam da morte,

Passa irado o vento forte,

Tombando troncos no chão...

Os animais pequeninos

Gritam pedindo socorro

Descendo de morro em morro,

Cai a enxurrada a correr...

Mas finda a borrasca enorme,

No escuro da madrugada, Em riscas de luz dourada,

Vem o novo amanhecer.

Assim também na vida,

Se atravessas grandes provas,

Na estrada em que te renovas,

Guarda a calma ativa e sã;

Sofre, mas serve e caminha,

Vence a sombra que te invade,

Se a hora é de tempestade,

Há novo dia amanhã...

Emmanuel (Poema psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, publicado no "Jornal Município de Pitangui, no. 25, setembro de 1991)

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Os mortos verdadeiros

Vós que guardais dos mortos a lembrança,

Sois também, nos espaços, recordados,

Nos eternos caminhos aureolados

Pelos clarões da Bem-aventurança!

No país da Verdade e da Bonança,

Nós ouvimos as súplicas e os brados

De pobres corações despedaçados,

No cadinho da mágoa ou da esperança.

Das vibrações ignotas das esferas

Nós que fomos os homens de outras eras,

queremos mitigar a vossa dor!...

Sois os mortos nos círculos da Vida,

Nos sepulcros de carne apodrecida,

Desejosos de paz. De luz e amor!..

João de Deus (Soneto psicografado em 1937)

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Educai a criança

Um coração de criança

É uma urna de amor, de inocência e esperança.

É um jasmim em botão de imácula pureza

Perfumando o jardim do Amor e da Beleza.

É uma flor aromal.Uma Ave pequenina,

Que nos recorda a luz puríssima, inicial

Da morada divina!

Mas a alma infantil, como leiva de terra.

Guarda, cria e produz aquilo que ela encerra!

Coração original, terra pura e inocente

Que desenvolve em si a boa e má semente.

Se lhe deres o Amor que salva e regenera,

A esperança no Céu que se resigna e espera,

Os exemplos do Bem que esclarece e ilumina,

Os archotes da Fé que sonha e raciocina.

A lição do Evangelho em atos de bondade,

Os perfumes liriais da flor da Caridade.

A verdade, a Luz e o Amor - a trilogia

Que compõe no Universo os hinos da Harmonia

Vê-la-eis produzir dessas espigas d'ouro

De um dos trigais de abril imensamente louro.

Se lhe derdes, porém, as sementes do vício

Tereis o pantanal, a chaga, o meretrício,

A ferida social que sangra, que supura,

Os venenos letais da Dor e da Amargura!

Em vez do sol que aclara uma vida sublime,

Vereis a lava hostil que favorece o crime.

Educai, educai o coração da infância,

Roubai-o da torpeza do mal e da ignorância.

Plantai no coração dos pobres pequeninos

As árvores do Bem cheias de dons divinos...

Elevai-os na Terra aos píncaros da Luz,

Com os exemplos de Amor da vida de Jesus!

O coração da criança

É um sacrário de amor, de inocência e esperança.

Ponde nesse sacrário a hóstia que transude

A chama da Verdade e a chama da Virtude

E tereis praticado o ensino do Senhor

Que fará deste mundo um roseiral de Amor!

Guerra Junqueiro (Poema psicografado em 14 de julho de 1933, em Pedro Leopoldo. Dedicado a Júlio Leitão.)

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Alma Gêmea

Alma gêmea de minha alma

Flor de luz de minha vida

Sublime estrela caida

Das belezas da amplidão

Quando eu errava no mundo...

Triste e só, no meu caminho,

Chegaste, devagarinho,

E encheste-me o coração.

Vinhas na benção das flores

Da divina claridade,

Tecer-me a felicidade

Em sorrisos de esplendor!!

És meu tesouro infinito.

Juro-te eterna aliança.

Porque sou tua esperança,

Como és todo meu amor!!

Alma gêmea de minha alma

Se eu te perder algum dia...

Serei tua escura agonia,

Da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares

Luz terna dos meus amores,

Hei de esperar-te, entre as flores

Da claridade dos céus.

Emmanuel (Psicografado por Chico Xavier)

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BALADA DE CARINHO

Suave e terno amigo,

Enquanto o coração convida à prece,

No reconhecimento que entretece

A berceuse feliz,

Encontro-te, com passos decididos,

No intercâmbio da Vida que esplendora,

E a gratidão te segue, hora a hora,

Na faina que bendiz!...

Louvando o jubileu

De serviços à dor e a desventura,

Nos santos testemunhos da fé pura,

A sobraçar espinhos,

Prossegues pela crença nobre e augusta,

Inda que por estradas tormentosas,

Colhendo cardos, mas doando rosas,

A perfumar caminhos...

Nas romagens do Bem,

Onde entrevês os cimos de Jesus,

Transportas, sem recuos, tua cruz

Em constante dever...

Embora a caminhada rude e agreste,

Ante acúleos da sombra e acicates do mal

Asserenar borrascas, fraternal,

A servir e ascender.

Em renúncias sabidas,

Entre estudo e trabalho, a serviço do amor,

Doas a existência em constante louvor

A luz que recompensa...

Violino cantante em mãos de artistas,

Brilhando que refulge obediente ao buril,

Alardeias ao mundo, a partir do Brasil,

O alvor de nova crença!

No intercâmbio da Fé,

Juntando devoções nas horas nuas,

Trago-te a inspiração, contudo as mãos são tuas

Sustentando a Verdade;

Choram granizos, urzes, mágoa e luta,

Na terra atormentada entre gemidos

Ouço e busco ajuda por teus ouvidos

à irmã Caridade...

Alma doce e querida,

Na cantiga singela, refrão a refrão,

Enfeito de amizade o coração

A saudar-te onde seja...

E osculando-te as mãos, em transportes de paz,

Repito, hoje e sempre, agradecida,

Rogando ao Senhor o Criador da Vida

Te abençoe e proteja.

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Carta aos Intelectuais

O tempo estranho que passa,

Uma nota de amargura

É a penosa decadência

Dos bens da literatura.

Explora-se no extremismo

A senda espinhosa e vã.

Assim como no cinema,

Todo o mundo quer o "fã".

Vais mal, amigo, se vais

Nas tristes explorações,

Difundindo a sombra espessa

Dos erros e das paixões.

Pululam, por toda a parte,

As notas sensacionais,

Amargurados venenos

De alguns intelectuais.

Entretanto, meu amigo,

No mundo, como ninguém,

Tu podes criar nas almas

Toda a tendência do bem.

Podes dar à evolução

Um grande sentido novo;

De ti, muita vez, dependem

O governo, a classe, o povo.

Teu erro é dar preferência

À mentira em que te cobres.

A hipocrisia entorpece

As faculdades mais nobres.

Acautela-te no esforço.

Cada artigo publicado

É um reforço na balança

Pela qual serás julgado.

Um livro que veicule

A treva, o crime, a paixão

Pode exigir-te um resgate

De séculos de aflição.

A justiça do infinito,

Na grandeza que ela encerra,

Tem também um tribunal

Que julga os livros da Terra.

Juízes retos e nobres

Sabem todos os teus feitos,

Mais tarde tu ganharás

Ou sofrerás seus efeitos.

A palavra é um dom sagrado.

E a ciência da expressão

Não deve ser objeto

De mísera exploração.

Põe tua pena a serviço

Da grande causa do bem.

Vive a verdade e o direito,

Terás o auxílio do Além.

Se há veneno em teus escritos,

Meu amigo, volta atrás.

Organiza o teu futuro

No santo esforço da paz.

Pelo Espírito Casimiro Cunha

Psicografia de Chico Xavier

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Carta aos Cientistas

Atualmente, no mundo,

No estudo das forças vivas,

Toda a ciência está cheia

De fórmulas negativas.

É tamanha a extravagância

E tão grande a confusão,

Que os sábios já se esqueceram

Do esforço do coração.

E enquanto as teses retumbam

Na luz das academias,

Os corações se enregelam

Sentindo as noites sombrias.

A força pretensiosa

Dos falsos sábios da Terra

Colabora, hoje no mundo,

Em toda a indústria da guerra.

Ai, porém, de todo aquele

Que no correr da existência

Abusa de dons sagrados

Nas lutas da inteligência.

Meu irmão, toma cuidado,

Busca novas claridades,

O Cristo vê teus caminhos

E as tuas atividades.

Por muito que realizes

Junto ao teu laboratório,

Se te voltas contra Deus

Teu trabalho é sempre inglório.

Procura ver na oficina

Que chamas de "natureza"

A providência Divina

Irradiando a beleza.

Reparaste? Tudo é luz

Ao sol desse eterno dia...

Tens a ciência do mundo

Mas não tens sabedoria.

Cada escola, em cada ano

Modifica os teus conceitos.

Só Deus é o sábio dos sábios

Em teus caminhos perfeitos.

Jamais te rias da fé.

No rigorismo da sorte,

Ela há de ser teu socorro

No instante amargo da morte.

Que em tudo vejas o campo

De estudos e de esperanças;

Há uma verdade divina

Que o Pai revela às crianças.

Essa verdade dos simples

Pode aclarar-te também

Se, longe da vaidade,

Viveres na luz do Bem.

Amigo, examina sempre

O esforço que te conduz.

Por tudo quanto fizeres

Responderás a Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha

Psicografia de Chico Xavier

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Carta às Famílias

É certo que, sobre a Terra

Nas lutas de expiação,

Muita vez, o lar se forma

Para a dor da redenção.

Por vezes, os inimigos

Das existências passadas

Recebem o mesmo sangue

Em lutas amarguradas.

É o resgate doloroso,

A algema que, no futuro,

Transforma o ódio tigrino

Em tesouros do amor puro.

Eis aí porque, não raro,

Nessa prova que redime,

Irmãos surgem contra irmãos,

Raiando até pelo crime.

Mas a dor, a grande dor

Que reforma toda a gente,

Recolhe-os no seu regaço,

Fraterniza-os novamente.

Por essa razão, amigos,

Todo o ensino em substância,

É que a paz do lar terrestre

Depende da tolerância.

Falando em particular,

Peço-te, pois, meu irmão,

Que faças de tua casa

O instituto da afeição.

Não te esqueças que em família

A mais santa autoridade

É a que nasce da energia

Que não desdenha a bondade.

A fim de seres ouvido,

Recorda que o verbo dar

Na caravana efetiva

Precede o verbo ensinar.

Jamais te queixes dos teus,

Seja em qualquer confidência.

Muita vez, nos desabafos,

Há muitas maledicência.

Sem que repartas no mundo

A fé e o amor com os teus,

Não pode dar no caminho

Os sublimes dons de Deus.

Há lutas em tua casa,

Atritos e desavenças?

Isso é a sombra em que se prova

A claridade da crença.

Na noite de cada dia,

Nas luzes das orações,

Envia a Deus os apelos

De tuas inquietações.

Quanto ao mais, teu sacrifício

É a santa expressão de dor,

Purificando a família

No plano eterno do Amor.

Pelo Espírito Casimiro Cunha

Psicografia de Chico Xavier

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CARTA AOS EMPREGADOS

Se és, meu amigo, empregado

Daquela ou dessa expressão,

Honra a oficina do esforço,

Manancial de teu pão.

Todo lugar de trabalho

É um templo de amor e luz,

É uma escola consagrada

À proteção de Jesus.

Quem se dedica ao dever

Não sabe da falsidade,

Que induz ao caminho triste

De incúria e infelicidade

Não faltarão companheiros

De alma obscura e tigrina,

Que te desejem levar

Aos males da indisciplina.

Um homem desesperado

Não pode ser teu amigo.

Sê prudente. Tem cuidado.

Toda revolta é um perigo.

Sinceridade, humildade,

Amor e dedicação,

Aclaram todo caminho,

Resolvem toda questão.

As soluções criminosas

Conduzem a dores largas.

Quem vive onde lhe compete

Não tem surpresas amargas

Valores e melhorias?

Não te esqueças meu irmão,

Do esforço individual

Na esfera da educação.

Quem trabalha, quem se educa

Alcança novos conceitos.

Quem salda os seus compromissos

Recebe novos direitos.

Leis externas não resolvem

A tua dificuldade.

A bússola no caminho

É a tua boa vontade.

Acata os superiores.

A ordem, a hierarquia.

São leis do próprio universo

De equilíbrio e de harmonia.

Se te esforças dignamente,

Em quaisquer obrigações,

Teu trabalho é a mais sublime

De todas as orações.

Deus sabe de teus serviços,

Pois vive em luz do Senhor

Quem transforma os seus deveres

Em santa escola de amor.

Educa-te. A Terra inteira

É como um campo de luz.

Onde patrões e empregados

Têm deveres com Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha

Psicografia de Chico Xavier

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CARTA AOS ENFERMOS

Meu amigo, eu te desejo

Aquela paz do Senhor

Que transforma as amarguras

Em santas preces de amor.

Nosso Pai ouve a oração

De tua grande ansiedade,

Como te vê no caminho

De dor e dificuldade.

Espera serenamente.

Não obstante a aflição;

Deus é um Pai que não dá pedras

Ao filho que pede pão.

Nos dias angustiados.

De desencanto e doença,

O homem deve apurar

As luzes de sua crença.

Às vezes, dizes, chorando:

- "Socorrei-me, meu Senhor!...

Ai! como tarda o consolo

No dia de minha dor!...

Mas, não lembraste a oração

Com tanta solicitude,

Nas horas irrefletidas

Em que arruinaste a saúde.

A incontinência teimosa

Na rebeldia e no gozo,

Pode ter vindo de outrora,

Do passado tenebroso.

Porque esta vida de agora

É somente uma fração

De teu trabalho à procura

Dos mundos da perfeição.

Nos teus ais, nos teus soluços,

Do corpo dilacerado,

Recorda que a dor existe

Para a luz de um fim sagrado.

Se teu mal é longo e rude,

Renovando-te aflições,

Ele é a válvula divina

Que escoa as imperfeições.

Se a moléstia é passageira,

Tem cuidado na existência;

A dor física, por vezes,

Não passa de advertência.

De qualquer forma, porém,

Sê paciente e sê forte,

Inda que sintas contigo

O augúrio triste da morte.

Acima dos preparados

Que visam a tua cura,

Põe o remédio divino

Da fé milagrosa e pura.

Abençoa, meu irmão,

Essa dor que te conduz

Da sombra espessa da Terra

Para as bênçãos de Jesus.

Pelo Espírito Casimiro Cunha

Psicografia de Chico Xavier


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